Holanda além da maconha e do sexo [Parte 1]

Perguntas do tipo: “E ai, experimentou muita maconha?”, “Comeu daquele bolinho e do pirulito de erva?”, “É verdade que há muita sacanagem por lá?”, e  “O povo, faz sexo no parque mesmo, sem nenhuma vergonha?” , são comuns, quando falo que já visitei a Holanda por duas vezes. Minha resposta, entretanto, quase sempre surpreende as pessoas ao desconstruir essa ideia de “liberdade 100%”. É por isso, que resolvi escrever uma série de textos e colocar a limpo certas coisas.

Não quero julgar ninguém, porque antes de ter uma ligação com este país, pouquíssimo sabia sobre ele. E o pouco que sabia, estava sempre relacionado a esta “liberdade” tão difundida mundo a fora. Agora, no entanto, mais familiarizado com aquele lugar magnífico, posso falar com mais propriedade por conhece-lo.

Minha ligação com a Holanda

Faz algum tempinho que tive meu primeiro contato com holandeses, há exatos 10 anos para ser mais preciso. Foi incrível e foi na minha cidade natal, Tupanatiga, a megalópole capital do agreste meridional do estado de Pernambuco, quando um grupo de estudantes de várias cidades de lá, acompanhados por alguns outros serumaninhos mais velhos, vieram por um intercâmbio cultural.

Eram em 7 no total e durante os 21 dias que ficaram hospedados na minha cidade, trocamos muitas informações. Aprendi a falar um pouco de holandês e também um pouco da cultura de lá. Descobri um monte de coisas, na verdade. E então, pela primeira vez, percebi que nem tudo o que a mídia falava sobre os Países Baixo era verdade.

Meu relacionamento com o pessoal foi tão bom, que logo depois que eles retornaram, fui convidado a participar de um intercâmbio na Holanda. Este período, diga-se de passagem, foi um dos melhores da minha vida, não só por conhecer lugares diferentes, mas por poder fazer grandes amizades com pessoas fantásticas e também “adquirir” uma família, lá do outro lado do Atlântico… muito massa, incrível, inesquecível. Na época, com 16 anos vivi as melhores experiências que um carinha naquela idade e de um lugar um pouco afastado de tudo poderia ter.

Fiquei hospedado em casas de família em cidades próximas a Amsterdam e por este motivo, cheguei à conclusão:

  1. A Holanda embora muito pequena, possui grandes diferenças, não no aspecto físico, mas no comportamento das pessoas;
  2. Existe um exagero quando se fala no país liberal e generalizam as pessoas;
  3. É preciso ter conhecimento de causa para não falar algumas coisas desconexas da realidade.

 

Vi mais usuários de drogas em São Paulo e hoje na orla da praia de Boa Viagem em Recife, dos que nas ruas de Amsterdam.

Pergunte para qualquer pessoa sobre o que ela sabe a respeito da Holanda. Com “quase certeza absoluta” posso te afirmar que a resposta será: muita droga e muitas prostitutas. Vá um pouco mais além e pergunte: “que lugar é famoso, por lá?”. Mais uma vez, tenho a resposta. Te dirao: “Tem a Red Light District e sei que coffeeshops são bem comuns”. Estou errado? Penso que não. Mas, o negócio por lá é tão escrachado assim?

Recentemente, um dos melhores blogs que eu conheço, disponibilizou uma informação que até então eu desconhecia. Pasme você, mas o consumo de droga não é legalizado na Holanda. Segundo o Ducs Amsterdam, o consumo é apenas tolerado. Ou seja, vender drogas e portá-las é teoricamente crime, estando os envolvidos passíveis ao recebimento de multas e outras penalidades.

O blog, no entanto, explica que o ponto chave da questão, é que o governo para os casos de drogas leves, como por exemplo a maconha, fecha os olhos para a venda e consumo de pouca quantidade, cerca de 5 gramas, ou a criação da erva, limitada até 5 plantas. Existindo apenas um alerta: não pode dirigir e nem se envolver em acidades, quando sob a influência de drogas, senão a tolerância já era.

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Na prática, vou confessar: via mais usuários de drogas em São Paulo e hoje na orla da praia de Boa Viagem em Recife, dos que nas ruas de Amsterdam. Falo Amsterdam, porque nas cidades menores e mais afastadas da grande metrópole, o pensamento dos holandeses é menos liberal e não se vê, com muita frequência pessoas usando drogas.

Achei organizada toda esta questão de venda e consumo. Existem diversos coffeeshops nas ruas de Amsterdam e as pessoas que querem usá-las, entram e consomem ali dentro. Na teoria, somente é vendida para o consumidor a quantidade permitida… Mas, vai saber, né?Por fora, os coffeeshops parecem com um café normal, mas por dentro, o ambiente é bem pesado. Para quem nunca teve qualquer tipo de envolvimento com drogas antes, assim como eu, entrar num lugar como este para conhecer, é no mínimo chocante.

O que quero dizer com isso tudo, na verdade,  é que existe sim, uma liberdade maior para o consumo de drogas na Holanda, óbvio, muito mais do que no Brasil. Porém, é extremamente errôneo afirmar que lá pode tudo e que isso é muito comum entre os habitantes. Na minha opinião e impressão pessoal, essa é uma cultura muito mais forte nos estrangeiros, do que nos próprios locais. Principalmente nas cidades distantes de Amsterdam.

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