Santiago do Chile e a sua capacidade de encantar o viajante

Ainda tenho que escrever sobre um monte de coisas do meu mochilão pela Europa, mas quero dar uma pausa para falar um pouco da cidade que mais me surpreendeu nestas minhas últimas andanças. Falo de Santiago do Chile.

Confesso que não esperava muita coisa da cidade. Não por nada, mas é que nunca tive real interesse de conhecê-la. Fui a Santiago do Chile porque ela disputava com Buenos Aires o primeiro lugar do ranking dos lugares que eu poderia visitar com as milhas de passagens aéreas, que consegui juntar nos meus muitos anos de viagens pelo trabalho. E entre ela e a capital argentina, preferi lhe dar um voto de confiança.

Cordilleira de los Andes, o que é aquilo?

Estava ansioso, contudo, apenas por uma coisa. Há muito ouvia falar de um conjunto de montanhas localizado na América Latina, a tão famosa Cordilleira de los Andes, expert em deslumbrar os olhos de qualquer visitante que por ali passe e meter muito medo nos passageiros temerosos de fortes turbulências. Esta era a coisa que mais me chamava atenção da viagem, naquele momento.

Embora grande, a minha expectativa foi facilmente ultrapassada quando sobrevoando a cordilheira, vi umas das mais bonitas paisagens da minha vida. Uma sensação indescritível, algo como um lembrete de como o mundo é grande e perfeito e quão ínfimos nós somos, se comparados a imensidão da obra de Deus.

Vou contar que a minha vontade era de abrir a janela e pular, sem paraquedas, sem nada, e dar de cara com aquele tapete de neve, onde no meu rico imaginário seria infinitamente macio… Ai, acordei e lembrei que o final desta história não seria tão legal. Continuei, então, com o meu lapso passional apenas de modo platônico, apreciando aquela beleza quase infinita.

Aeroporto e translado até o hostel

Cheguei em Santiago do Chile! O aeroporto não é um dos maiores que eu já fui, mas é agradável, embora estivesse ali uma horda de taxistas gritando incessantemente: “taxi, taxi…. quieres taxi?” logo no desembarque, o que pode levar ao recém chegado um pequeno estresse.

Como sou um viajante econômico, faço uso de todo e qualquer tipo de transporte, desde que eu tenha a certeza de que o preço é o menor entre todas as opções… Seguindo este princípio mor da minha vida “viajeira”, procurei por estações de jegues ou jumentos nos arredores do aeroporto – o que na minha concepção seria o meio de transporte mais econômico – mas não encontrei, claro para minha tristeza, portanto tive que optar pelo bom e velho ônibus, o que não foi tão caro. Paguei cerca de R$ 10,00 para ir e R$ 10,00 para voltar.

Fui de busão até o meu hostel que tinha uma localização muito boa, perto da parada final do ônibus que peguei. No trajeto entre aeroporto e onde eu viria a ficar hospedado, tive contato com um pouco das diferenças entre as cidades brasileiras (as que conheço, claro) com a capital chilena. As ruas, à primeira vista, eram muito bonitas e diferentes, carregadas, também, de muitas cores. Cores fortes.

O Hostel

Estava gostando do que via, porém infelizmente, o glamour de um viajante econômico modo hard como eu, em alguns casos, acaba quando se chega ao seu quartel general temporário, ou seja, o hostel (porque hotel não está no nosso vocabulário).

A minha primeira impressão não foi a melhor e pensei comigo mesmo, em alguns momentos, de mudar… mas, véi, “paguei um preço que não vou conseguir mais em lugar nenhum”. Botei isso na cabeça e deu certo: fiquei, e no final até que o meu conceito sobre a hospedagem subiu. Falarei desta experiência em outro momento. Para quem pagou R$ 33,00 por noite, tinha que se contentar com o padrão comprado.

Preços, um pouco salgados

No dia que cheguei, quero dizer no sábado, andei pouco. E me arrependo amargamente por isso. Caminhei apenas pela redondeza em busca de comida, porque saco vazio não para em pé. Acrescido a preguiça provada pelas longas 4 horas de viagem entre São Paulo e Santiago, meu sapato quase novo, que apertava e machucava meu pé, não me permitiu caminhar mais. Então, tive que ficar na minha cama assistindo trezentos episódios de séries atrasados

Foi ainda nesta primeira saída que tomei o meu primeiro choque de realidade: Santiago é caro pra cacete. Comida lá não custa apenas os olhos da cara, mas a cara inteira. E embora eu tivesse lido sobre o custo de vida alto de lá, não imaginei que seria tanto. Fazendo uma conta porca, corro o risco de dizer que mesmo para nós brasileiros, comer em Roma e em Lisboa, é mais barato do que comer lá MESMO considerando o valor do Euro.

Santiago = ruas limpas, simpatia e educação

O que mais gostei em Santiago, foi tudo. Sim, tudo. As pessoas são bem simpáticas, educadas, e te ajudam bastante se você pedir. Além disso, as ruas são muito largas, limpas (na maioria, pois encontrei alguns lugares sujos), e bonitas (tá, estou falando apenas do centro e dos lugares mais turísticos, pois não conheci bairros periféricos).

O clima estava perfeito, o transporte público funcionou para mim (não sei como é em horário de pico) e tinha folhas secas amareladas caídas no chão, coisa própria de outono, como nós sempre vimos em livros, o que me deixou ainda mais impressionado com o lugar.

Tirando isso tudo que falei, ainda tinha a coisa da cidade que é diferente… essa coisa, não sei como explicar, é muito legal… É tipo uma “vibe” (não uso muito esta palavra) massa.

Santiago do Chiele (2)
Vista do Cerro de San Cristóbal, Santiago do Chile.

Ligares incríveis

Visitei lugares fantásticos, vi paisagens de tirar o fôlego e arquitetura muito peculiar. Lá em Santiago, tem muitos prédios antigos, um mais bonito que o outro e também percebi que as pessoas têm um forte e bonito sentimento de patriotismo. Era comum encontrar bandeiras penduradas ou expostas em lojinhas e afins.

Prestigiei, inclusive, um desfile muito legal em comemoração ao dia nacional do patrimônio cultural do Chile. Parecia com um carnaval, tinha carros alegóricos e tudo, porém, em vez de samba um monte de ritmos se misturavam e formavam uma trilha sonora bem legal.

Há também, um grande número de universidades em Santiago. Nas redondezas onde fiquei, pude contar algo como 8 universidades. Pareceu com São Paulo, neste aspecto.

Poucos pontos de Wi-Fi

Em um ponto, entretanto, na minha humilde opinião a cidade deixa a desejar: são poucos os lugares que tem Wi-FI público ou bares/restaurantes que ofereçam este tipo de benefício. Para um viajante refém do Wi-Fi, isso gera uma grande dor de cabeça.

Resultado?

É uma pena que não consegui fazer alguns passeios ou ir ver a neve, como havia me programado. Porém sai muito satisfeito da cidade, a ponto de querer voltar em breve para aproveitar mais ainda daquele lugar.

Este post é mais um diário de bordo para expor as minhas primeiras impressões sobre a cidade. Daqui a pouco, escreverei mais sobre o meu roteiro, algumas dicas, e também curiosidades sobre o lugar.

Veja que grande vista… Aproveita e segue o PQV no Instagram.

E hoje pude contemplar mais uma vez esta grande obra prima de Deus. Ainda beatificado com tamanha perfeição.

Um vídeo publicado por Por que viajar? (@pqviajar) em

12 thoughts on “Santiago do Chile e a sua capacidade de encantar o viajante

  1. Eu morei 4 meses em Santiago, no primeiro mês eu gostei de tudo, mas minha Sensação mudou completamente nos meses seguintes. Eu recomendo Chile apenas para passar alguns dias de férias, mas para morar eu acho que a Argentina é bem melhor.

    1. E ai, Marcelo! Acho que é bem mesmo isso que você falou… As vezes, algumas cidades nos surpreendem negativamente, quando passamos a morar nelas. No meu caso, foi São Paulo. Mas, são experiências próprias de cada um né? Abraços e valeu por ter comentado.

  2. Passei o réveillon em Santiago. O réveillon deles parece um carnaval, tem máscaras, confetes, e espuminhas, o pessoal é pouco baladeiro. A cidade achei bem parada, alimentação caríssima, cheguei a pagar 80 reais por um prato. Quase não tem cafés má cidade. Andei muito, acho que conheci muita coisa, mais não é uma cidade que tenho vontade de voltar. Buenos Aires sim, sempre tenho vontade de voltar.

    1. Interessante, Alexsandra. Não conheço Buenos Aires, mas o pessoal que conhecia as duas cidades sempre me recomendava Santiago. Tenho que concordar contigo que alimentação lá é muito, mas muito caro. Fiquei triste com isso, mas no mais eu gostei bastante. Eu não sou baladeiro e não saio muito, meus passeios são mais diurnos, por isso não deu pra perceber a agitação da galera rs…

  3. ola , muito bom dia
    otimo texto e boas observações
    mau caro amigo irei fazer uma viagem de moto para o chile em setembro e gostaria muito de sua ajuda me passando o endereço e contato desse hostel em santiago ja que vou viajar no limete de dinheiro kkkkkk

    1. Que massa, Lucimar! Gostaria bastante de num futuro também fazer uma viagem mais prolongada e radical, assim como a sua… Bom, o hostel onde me hospedei fica à Rua Erasmo Escala, nº. 2012 e se chama Landay Hostel (Site: http://www.landay.cl ). Achei a localização boa porque tem uma estação de metrô bem próxima, chamada “Heróes”, é perto da Praça das Armas e também do Palácio da Moeda. Boa viagem, man!

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