Talvez saibamos voar – Cansaço

Direto do meu quarto escuro e desarrumado, nesta noite pálida e maltratante, tal como as muitas outras destes últimos dias, peço licença ao narrador da minha história para que eu possa contá-la ao meu modo, do mesmo jeito como vivi.

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Talvez sejam dispensáveis as apresentações, mas mesmo assim a farei. Meu nome é Hugo, prazer.

Quando pedia licença para contar-lhe esta história, falei das difíceis noites que vinha tendo. De fato, muito cruéis porque há muito não sei o que é dormir antes da 0h00…. Quem me dera se ao menos eu conseguisse pegar no sono antes das 2h00. Isso tem me maltratado de forma absurda.

Um conjunto de fatores me tira o sono. Não só ele, como também minha esperança, que se esvai cada dia um pouco mais. A ausência de foco, o excesso de projetos e desejos, a escassez de recursos, a falta de amigos, a batalha constante sem vitórias expressivas e principalmente a distância de Deus, compõem as causas da pior patologia espiritual, o desespero.

Hoje tenho 37 anos, uma profissão, um filho e uma bagagem de experiências não desejadas no meio de algumas outras de realizações. Tenho além disso, um abismo que separa o meu jeito de pensar daquele de 10 anos atrás, uma tempestade interna que não passa e já perdura há muito tempo e uma lista considerável de desejos que espero um dia realizar. Enfim, talvez hoje eu seja mais real do que fora um dia, porque sei que estes tipos de sentimentos que me acometem, também acompanham boa parte dos que são de carne e osso como eu.

Eu gosto e não gosto ao mesmo tempo – algo similar ao sabor agridoce  – de falar das coisas que aconteceram na minha vida. Algumas vezes, entretanto, a necessidade transpassa esta questão do gostar, e contá-las meio que se torna uma obrigação.

Não sei escrever, e por isso peço perdão caro leitor, no entanto, não sei ser apenas plateia da minha existência. Filosófico, o que falei? Talvez. O que é certo, contudo, neste caso, é que é mais fácil eu te contar as minhas verdades do que explicá-las a outrem e fazê-lo entender que muitas coisas tem uma versão invertida dependendo da ótica de quem vê, para que transcreva no seu papel o que eu realmente falei.

Por favor, mais um pouco de calma porque eu mesmo estou me confundido e por isso, passarei logo à narrativa de meus últimos anos.

Observei aqui, no relato de quem narrou parte do meu último ano no colegial, que ele abordou pontos muito importantes. E o parabenizo por isso. Vou seguir sua linha narrativa e tratar melhor destes aspectos tão difíceis que nortearam a minha vida até onde cheguei, até o hoje.

Ainda tenho contato com o Carlos, meu grande amigo e excelente ouvinte. Como na época da escola, Carlos nunca me negou um ombro amigo. Tenho contato também com Pedro e com Ângela, sendo estes, os últimos elos do meu real círculo de amizades que trago comigo até hoje. Cada um com um papel importante na minha vida, sem que um pese mais que o outro.

A esperta vida, durante os últimos anos não tem me dado trégua com suas peripécias, mas não posso dizer que de tudo sempre fui infeliz. Pelo contrário, mesmo com as inúmeras turbulências e minhas melancolias internas mantive-me em pé, confiante e gozador das outras tantas possibilidades que ela me deu. O que “me digo” hoje, como conforto, é que não sou infeliz. Estou apenas cansado.

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